Distorções eleitoreiras

Artigo da ministra da Cultura, Marta Suplicy, publicado no jornal O Globo, em 29 de agosto de 2013

publicado: 29/08/2013 15h54,
última modificação: 21/01/2019 14h53

Preservar o passado e olhar para a frente. Este é o maior significado do lançamento do PAC das Cidades históricas, ocorrido dia 20, na bela São João Del-Rey. Quando assumi o Ministério da Cultura, há um ano, a presidente Dilma Rousseff se comprometeu com o investimento de R$ 1 bilhão na recuperação das Cidades históricas. Entregamos um rigoroso plano que contempla 44 cidades e anunciamos R$ 1,6 bilhão, no curso de três anos, além mais de uma linha de financiamento de 300 milhões para moradores. É o maior volume de investimento já disponibilizado para o IPHAN em toda a sua trajetória.

Das obras selecionadas, 119 podem ser licitadas imediatamente porque seus projetos estão prontos (esta dificuldade costuma travar prefeituras) e foram minuciosamente acompanhados pelo IPHAN e Ministério do Planejamento. Um museu, uma igreja, um centro histórico são expressões do que uma sociedade, ou melhor, o poder daquela época decidiu homenagear.

Num olhar mais moderno, a continuidade histórica passa a interagir com nossas raízes, e povos que não as preservam deturpam sua história e desperdiçam saberes que contribuem para melhor compreensão de quem somos. Esta preocupação social no usufruto do bem histórico se acentua e passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento do país, ouvindo a sociedade, suas necessidades e críticas. Novos usos e significados serão criados a partir da apropriação do passado canalizado para expansão do conhecimento e melhoria da qualidade de vida das pessoas. Este será o grande desafio das cidades contempladas.

Já incorporando esta mentalidade, o PAC 2 recupera, entre as 425 obras, 24 estações ferroviárias para serem centros culturais ou bibliotecas. Casas particulares tombadas poderão ser beneficiadas, recebendo financiamento para sua conservação e para terem sustentabilidade, se os donos quiserem adaptá-las para livrarias, pousadas ou restaurantes. Nove das mais importantes fortalezas brasileiras, valioso patrimônio com enorme potencial turístico, serão contempladas. Entre elas estão os fortes Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha, e São Marcelo, em Salvador.

Dando continuidade a esta estratégia, 11 edificações integrantes dos campi de universidades públicas também estarão entre as restauradas. O governo federal, por meio do PAC do Ministério do Turismo, está investindo outros R$ 19 milhões em sinalização nas Cidades históricas.

Indignação e distorções eleitoreiras fazem parte do jogo.

Por que Minas para o lançamento do plano? Porque o estado detém um acervo valiosíssimo, que atualmente contabiliza 20% do número de bens tombados pela União. Por que em São João Del-Rey? Porque foi a cidade onde a presidente Dilma assumiu, na sua campanha, compromisso com o projeto de recuperação dasCidades históricas.

Ataques desproporcionais e descabidos aparecem quando a ação presidencial é forte e o golpe é sentido.

Na vida, a gente aprende com o passado, mas faz acontecer para a frente.

Marta Suplicy é Ministra da Cultura