Corumbá, capital cultural

publicado: 17/12/2018 17h37,
última modificação: 21/01/2019 11h10

Festival América do Sul. Corumbá, Porto de Culturas – 21 a 28 de maio

Por Luis Turiba*

Por baixo da cidade de Corumbá, fronteira do Mato Grosso do Sul com a Bolívia, passa um oleoduto que trará gás natural deste país vizinho para o Brasil. Uma obra gigantesca, quilométrica, de custos altíssimos e segurança rigorosa, mas de valor imensurável para o nosso desenvolvimento.

A partir desta semana, passa também pela cidade de Corumbá um importante (e também fundamental) ‘culturoduto’ chamado Festival América do Sul. Corumbá é o epicentro de um jorro cultural que a marcará para sempre. Na mente de seus moradores e daqueles que estiveram presente neste evento realizado às margens do Rio Paraguai.

Na sua segunda versão, o festival está acontecendo desde sábado, dia 21 de maio, e vai até o final desta semana, dia 28. A histórica cidade-capital do Pantanal brasileiro, com seus 90 mil habitantes e 226 anos de existência, se transformou na capital da cultura e das artes da nossa América.

‘Esse festival é muito bom porque é ousado’, disse Fernanda Takai, cantora da banda mineira Pato Fu, que fez o show da festa na rua. Realmente foi uma ousadia. São mais de 300 atividades com cerca de 3. 500 convidados nas várias áreas, sendo que o custo total do festival foi cerca de R$ 2 milhões e teve o patrocínio do Banco do Brasil.

O governador Zeca do PT teve até que negociar com uma companhia de aviação uma linha direta ligando a cidade a outros grandes centros. Somente assim, pode garantir a presença de convidados de todos os estados brasileiros e de outros países da América do Sul.

Então é isso: Corumbá está ligada a outras grandes cidades do Brasil e da América do Sul por intermédio da música, do teatro, da literatura, das artes plásticas, do cinema e do debate continental em busca de novas conexões culturais em todos os níveis. Os hotéis da cidade estão lotados e o clima pelas ruas, praças, restaurantes e bares é de efervescência criativa.

Apesar da chuva e da frente fria que tomou conta de Corumbá no último fim de semana, cerca de cinco mil pessoas estiveram presentes no show de abertura com o filho da terra Ney Matogrosso e o carioca Pedro Luís & a Parede(foto). O Pavilhão do Porto, lugar montado especialmente para os grandes shows (Dominguinhos, Dante Ledesma, Alberto de Luque, Barão Vermelho, Martinho da Vila, João Bosco, Vitor Ramil, etc), tremeu e só faltou voar com os requebrados de Ney Matogrosso.

A cerimônia de abertura foi marcante. Dez países da América do Sul enviaram representantes para o evento, que foi comandada pelo governador Zeca do PT e pelo secretário de Cultura do MS, Sílvio Nucci. O Ministério da Cultura do Brasil, esteve presente com o secretário de Articulação Institucional, Márcio Meira.

Prioridade cultural

América do Sul, América do Sal, América do Sol. Vamos relembrar o poeta modernista Oswald de Andrade. Afinal, somos todos loco por ti América!

O escritor paraguaio Augusto Roa Bastos, falecido no dia 26 de abril de 2005, aos 87 anos, foi o grande homenageado na primeira versão do festival em 2004. Para este novo encontro, ele deixou a seguinte mensagem:

‘O governo brasileiro tem sido o primeiro a situar a cultura na
lista de prioridades, e isso revela o grau de maturidade de um Estado que compreendeu que nos novos tempos, manda o conhecimento, a preparação, o diálogo entre as culturas, e que os benefícios da economia virão como conseqüência, nunca como causa de integração’.

Cinco grandes personagens da América foram homenageados este ano: a artista plástica brasileira Lídia Baís; o líder venezuelo Simón Bolívar; o cantor paraguaio Alberto de Luque; a escritora chinela Gabriela Mistral; o escritor colombiano Gabriel García Márquez; e o cineasta argentino Fernando Solanas.

Ao falar sobre a proposta de fixar um festival de tamanhas dimensões na cidade de Corumbá, o govenador Zeca do PT destacou:

‘A exuberante terra dos ancestrais guatós e guaicurus vem se consolidando como legítimo cenário do renascer interétnico, da miscigenação cultural, numa mistura viva e dadivosa da esperança e da alegria das novas gerações com os ritmos e cantares de nossos talentos silenciados de outrora, muitos dos quais deram vida aos gemidos sufocados de nossos mártires de sempre, pelo direito à vida dos povos originários, à nosso própria identidade e sobretudo à liberdade de difusão de nosso explosiva e contagiante manifestação artística.’

Na mensagem publicada no catálogo do festival, o ministro Gilberto Gil diz que ‘o Brasil e os demais países da América Latina não podem fugir ao seu destino comum. Temos nossas diferenças ou seja, as nossas identidades e as nossas próprias diversidades. Mas estamos inexoravelmente conectados. E como temos conexões compulsórias, nos resta apenas dar a elas o melhor sentido possível, para que sejam proveitosas, para que sejam prazerosas, para que sejam capazes de nos fortalecer e impulsionar. Este festival se insere dentro deste princípio de convivência cultural e continental’. Mais notícias no site www.festivalamericadosul.com.br .

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(*Assessor de Comunicação Social do MinC)