Essa é para tocar no ‘radiô’, por Luís Turiba

publicado: 17/12/2018 17h40,
última modificação: 21/01/2019 11h07

Sobre a visita de Gilberto Gil à mostra da MPB na Cité de la Musique, em Paris: ‘um passeio completo pela ‘grande avenida da música brasileira’, sintetizou o ministro’.

Luís Turiba*

Gilberto Gil e Jorge Benjor juntos novamente. Desta vez, ele como Ministro da Cultura do Brasil e Jorge, como convidado especial. Mas foi a alegria de sempre. Visitaram neste último domingo (20 de março) a exposição Música Popular Brasileira na Cité de la Musique. Viram tudo atentamente, cantarolaram e se emocionaram em muitas passagens.

A exposição faz parte da programação do Ano do Brasil na França e tem curadoria de Dominique Dreyfus. Faz um passeio completo pela ‘grande avenida da música brasileira’, sintetizou o ministro Gil, após deliciar-se com os inúmeros estilos, cantos e vozes da MPB. Do choro ao samba, do baião de Jackson do Pandeiro e de Luiz Gonzaga, à bossa-nova de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto e toda a sua turma, a exposição chega até os anos setenta, quando a censura da ditadura militar foi cruel com toda a renovação da MPB da época e os Novos Baianos tiveram que segurar a festa com uma proposta rítmica inusitada.

Tropicalismo, banquete dos mendigos, seja marginal, seja herói, filhos de Ghandi, com turbantes de lençóis na cabeça, o samba-novo de Jorge Bem, tudo isso mostrando os caminhos abertos pela turma nascida nos festivais da TV Record (Elis Regina, Jair Rodrigues, Chico Buarque de Holanda, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e Roberto Carlos).

Um pequeno anúncio publicado no jornal Última Hora, de 21 de dezembro de 1968 – uma semana depois de promulgado o Ato Institucional nº 5 – e colocado com destaque na exposição, mostra bem o clima da época, e fez Gilberto Gil e Jorge Benjor darem boas risadas: ‘Motivos de Força Maior – Os mesmos motivos de força-maior que impediram Chico Buarque de comparecer a São Paulo para receber, há 15 dias, os prêmios do Festival da Record, impediram também Caetano Veloso e Gilberto Gil de comparecerem ontem, quando os prêmios foram entregues de qualquer maneira. Por falar em Chico, ele está tão empolgado com os esportes, que acaba de inventar, depois do futebol de botão, a Ginkana do Leblon, que conta com torneios de vôlei, xadrez, dama, poquer e ping-pong. Um lembrete: gincana não quer dizer mistura de gin com cachaça.’

*Luís Turiba é poeta, jornalista e chefe da
Assessoria de Comunicação Social do MinC