No morro com Bezerra da Silva, por Luis Turiba

publicado: 17/12/2018 17h43,
última modificação: 21/01/2019 11h04

‘Malandro é malandro, mané é mané. Chega de caô!’Luis Turiba*

Bezerra da Silva foi malandro. Malandro musical, dos bons. Tive a honra de conhecê-lo lá pelos idos de 95, no século passado, em Copacabana, Rio de Janeiro. Trabalhava na época como repórter especial do Correio Brazilienze e fui escalado para fazer matérias sobre a tentativa do governo de dar um fim às quadrilhas de tráfico de drogas, colocando tropas do Exército para cercar e invadir favelas cariocas.

     Bezerra deu uma esclarecedora entrevista sobre o assunto e, depois do papo, resolvemos subir a favela da Ladeira Tabajara para fotos. Ele mesmo negociou com o ‘gerente’ do morro com passaporte de subida. Lá em cima, depois das fotos entre barracos e ladeiras, ele fez um pagode para a rapaziada. Começou às 5h e foi parar lá pelas 9 da noite. Me impressionou sua comunicação direta com a população da Ladeira Tabajara. Seu trabalho de cantor, compositor e interprete do povo pobre e favelado do Rio de Janeiro está vivo, vivíssimo no canto de outros sambistas, como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Monarco e muitos mais.

*Luis Turiba é poeta, jornalista e chefe da Assessoria de Comunicação Social do MinC