Agenda no Rio de Janeiro

publicado: 26/03/2013 21h38,
última modificação: 30/01/2019 15h39

Visita a Magé, debate na ‘5ª Bienal da UNE’ e abertura oficial da exposição ‘Oscar Niemeyer 10|100’, no Museu Paço Imperial
Com uma agenda ministerial não tanto rotineira, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, começou a semana plantando uma muda de árvore entre caranguejos, lixo e muita lama.

Passou a manhã de segunda-feira, dia 29, em visita ao Projeto Mangue Vivo, na Baía de Guanabara, no município de Magé, no Rio de Janeiro, considerada a maior iniciativa brasileira de reflorestamento de mangues.

A proposta da visita foi conhecer o dia a dia das ações de recuperação do manguezal para a realização de parcerias dentro da interface entre cultura e meio ambiente.

Também estavam presentes o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rogério Rocco, e o ex-secretário Municipal de Urbanismo, Alfredo Sirkis.

"Há uma relação importante com a comunidade e há propostas interessantes na dimensão cultural, como a realização de visita suspensa ao mangue. Vamos estudar a questão dentro das ações interministeriais do governo para apoiar projetos educacionais de recuperação do mangues. Também vou sugerir que o Iphan estude a viabilidade de tornar este mangue uma área de preservação patrimonial", afirmou o ministro.

Mangue Vivo – Realizado por ONGs, dentre as quais a Onda Azul, o projeto já recuperou mais de 80 mil m2 do mangue e abrigou os antigos catadores de caranguejo da Baía de Guanabara, depois do desastre de derramamento de petróleo ocorrido em 2000.

"No início, era só lixo, tínhamos que cavar bastante para encontrar o solo. As plantas não cresciam devido ao lixo e à salinidade, mas, depois de dois anos, as coisas mudaram. As plantas começaram a crescer e hoje já recuperamos 12 dos 16 hectares do manguezal", informou Erian Ozório, coordenadora do projeto.

Do mangue ao ‘rio chamado Atlântico’

Em seguida, o ministro Gilberto Gil foi participar do debate Brasil-África: um Rio chamado Atlântico, na 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE. Também compôs a mesa o diplomata Alberto Costa e Silva, escritor africanista e autor do livro homônimo, que inspirou o tema dessa edição do evento.

Para uma platéia de milhares estudantes, o ministro Gil falou sobre a importância do resgate das origens africanas para a identidade cultural brasileira e da importância de se compreender a África não apenas a partir da perspectiva brasileira.

"Temos que nos voltar não só para a África no Brasil, mas para a África na África".

O ministro defendeu a implantação do sistema de cotas raciais. Na sua opinião, é o momento de aprofundar a discussão sobre o assunto: "A justificativa política já está colocada, agora tem que ser discutida a elaboração técnica, o aprimoramento do mecanismo da cota, de sua questão regulatória e de como se dará sua superação futuramente."

Também falou sobre a política do MinC para o intercâmbio e a aproximação entre o Brasil e a África, como o Festival das Artes Negras e a Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora – CIAD Cultural, que no ano passado reuniu intelectuais de mais de 40 países da diáspora negra.

"Fazemos tudo que é possível para intensificação e desenvolvimento das relações entre os dois países, através do estímulo à análise, reflexão e estudo de nossa história, e do apoio a iniciativas africanas", destacou.

Leia o pronunciamento.

100 anos de Niemeyer

O ministro Gilberto Gil terminou o dia no Museu Paço Imperial, na abertura da mostra Oscar Niemeyer 10|100, sobre a vida e obra do arquiteto Oscar Niemeyer. A iniciativa faz parte das homenagens ao centenário do arquiteto modernista, que será completado em novembro deste ano.

"Posso dizer que sou um discípulo do Niemeyer, sou um contemporâneo dele. Se vocês analisarem com cuidado a minha obra, vão perceber alguns traços comuns, como a modernidade e o gosto pelas curvas, pela sensualidade", disse o ministro. "Se eu não fosse músico, seria arquiteto", brincou.

A imagem '/documents/10883/38605/Abertura%2520mostra%2520Oscar%2520Niemeyer_1170181332.jpg/7ae4c9ca-0804-4f44-9998-e6a78c5a6a5d?t=1364341119249' contém erros e não pode ser exibida. A imagem '/documents/10883/38605/Mostra%2520Oscar%2520Niemeyer_2_1170181255.jpg/6f9587ce-7ce1-47f3-a3f6-cd8594f9cc2d?t=1364341119319' contém erros e não pode ser exibida. A imagem '/documents/10883/38605/Mostra%2520Oscar%2520Niemeyer_1170181300.jpg/d6843144-42dc-4dd8-ae9d-f0f0b7bf7a7c?t=1364341119399' contém erros e não pode ser exibida.

O ministro da Cultura também falou sobre a opção didática da curadoria de detalhar pela mostra informações para o público leigo em arquitetura e pela abrangência da exposição, que não se resumiu às obras do artista, mas também a uma pesquisa consistente da biografia de Niemeyer.

"Essa exposição traz não só o traço, a obra, mas também os pensamentos dele. Niemeyer é o símbolo de potencial realizado pelo Brasil. Ele levou o nome do Brasil para o mundo", afirmou Gil.

Com curadoria de Lauro Cavalcanti e promoção da Fundação Oscar Niemeyer, a exposição – que apresenta maquetes de projetos da produção do arquiteto – fica aberta ao público até final do mês de abril.

(Nanan Catalão – texto e fotos)
(Assessoria de Comunicação Social/MinC)