Agenda para a América Latina

publicado: 26/03/2013 21h06,
última modificação: 30/01/2019 15h39

Jornal do Brasil – RJ, Da Redação, 18/09/2006
A ampliação das políticas públicas de fortalecimento das manifestações artísticas produzidas pelas classes populares foi um dos principais consensos do I Encontro Sul-Americano de Culturas Populares e do II Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, realizados conjuntamente no final de semana em Brasília. Os eventos reuniram cerca de (luas mil pessoas, representantes de 12 países, gestores culturais, especialistas no tema e artistas. Países como a Bolívia. o Peru, a Colômbia e a Venezuela também discutiram ações que poderão resultar na construção de uma futura agenda política comum de integração cultural dos países sul-americanos.

– A maioria dos brasileiros nunca teve acesso às tradições culturais dos vizinhos sul-americanos – afirmou o ministro da Cultura, Gilberto Gil, na abertura do encontro, que promoveu a troca de experiências culturais entre os nações da região.

O ministro lembrou que a referência para o diálogo intercultural no Brasil sempre foi a Europa e. mais recentemente, os Estados Unidos.

– As manifestações populares sempre estiveram excluídas das agendas culturais internacionais – lembrou, ao defender uma integração continental de forma a superar as barreiras simbólicas e investir fortemente no fim dessa cultura secular de exclusão.
O secretário da Identidade e da diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio
Mamberti, considerou-se satisfeito porque o encontro tratou de temas ainda não abordados por políticas públicas.

– A cidadania cultural se manifesta e está presente aqui para tratar o seu destino – disse. Ele defendeu a implantação de um pacto de unidade regional para formar um bloco continental a fim de promover a diversidade cultural. E disse que o Brasil precisa de políticas públicas que evidenciem as culturas populares para a inclusão social e cultural cada vez mais ampla.

Para o diretor cia Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, um forte tema da agenda política comum dos países sul-americanos será o apoio e a ratificação, por todas as nações envolvidas, da Convenção sobre a Proteção da Diversidade e Expressões Culturais, aprovada em 2005 pela UNESCO. Na semana passa-cia, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de ratificação, que ainda terá de ser votado pelo plenário antes de entrar em vigor.

Uma das ações práticas de estímulo ao resgate e ao fortalecimento das culturas populares foi o lançamento, durante o evento, cio projeto Ação Griô, uma iniciativa do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura (MinC), que promove os 500 Pontos de Cultura existentes no Brasil. O objetivo do projeto é apoiar projetos pedagógicos que aproximem a juventude das manifestações culturais populares mais tradicionais.