Aprender a viver: a Rio+20 e o legado do MinC (Artigo)

Um dos maiores paradoxos do consumo cultural é que, enquanto alguns produtos culturais vendem aos milhões, fecham-se teatros, cinemas, livrarias, bibliotecas e centros culturais em diversos países

publicado: 27/03/2013 02h46,
última modificação: 16/01/2019 15h47

Cláudia Leitão e Márcia Rollemberg – Secretária da Economia Criativa e Secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Minc

Aprender a viver. Este parece ser o maior dos desafios humanos, que atravessa o tempo nos causando dilemas e constrangimentos. O iluminista Jean-Jacques Rousseau, em “O Emílio”, e a dupla de artistas brasileiros, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, na canção “É preciso saber viver”, produzem a mesma advertência: precisamos aprender a viver. Em que medida o século XVIII de Rousseau e o século XXI de Roberto e Erasmo é mais ou menos auspicioso para o “saber viver”?

A expansão econômica e da mídia propiciada pelas indústrias culturais não beneficia equitativamente todos os países nem regiões. Na verdade, gera desigualdades econômicas e desequilíbrios históricos no acesso à comunicação, à informação, ao entretenimento e provoca o declínio da diversidade cultural.Um dos maiores paradoxos do consumo cultural planetário é que, enquanto alguns produtos culturais vendem aos milhões, fecham-se teatros, cinemas, livrarias, bibliotecas e centros culturais em diversos países.

Ao mesmo tempo, a hegemonia das indústrias proprietárias de redes de telecomunicações, editoras ou dos canais de televisão nem sempre têm compromisso com processos educacionais e favorecem a alienação dos indivíduos e a ampliação do consumo de produtos culturais de baixa qualidade. Definitivamente, ainda não aprendemos a viver.

Nos debates da Rio+20, o MinC enfatizou as conexões entre o desenvolvimento sustentável e a necessária aproximação das políticas públicas de promoção e valorização da biodiversidade àquelas relativas à diversidade cultural.

As convenções internacionais começam a cunhar a expressão “biodiversidade cultural” nos documentos. Seja enquanto signo linguístico, princípio filosófico, garantia jurídica, patrimônio cultural, ou ainda, como insumo econômico, a diversidade cultural torna-se cada vez mais uma “palavra chave”, como bem nos adverte Edgar Morin ao salientar que somos dependentes simultaneamente da natureza e da cultura. Se o homem faz parte da natureza, a manutenção da diversidade, em especial das comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e rurais, é fator determinante da preservação dos biomas e do patrimônio cultural e natural.

No governo Dilma Rousseff, o minc avança nas políticas que afirmam que um país rico é um país cuja diversidade cultural também constitui instrumento privilegiado de enfrentamento da miséria. Sob a liderança da ministra Ana de Hollanda, a Política Nacional de cultura aprofunda as reflexões e ações que fortalecem as conexões entre cultura e desenvolvimento. Nosso maior desafio tem sido o de formular políticas públicas para o desenvolvimento local e para a cidadania, tomando como princípio a participação social e como substrato maior a valorização da diversidade cultural brasileira. Desse modo, avançaremos de forma efetiva na construção de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável para o nosso país. Afinal, é preciso, mais do que nunca, aprender a viver.

(Fonte: BRASIL ECONÔMICO – SP)