Literatura

Biblioteca Nacional abre exposição sobre Monteiro Lobato nesta quarta (17)

Mostra, que vai até 18 de julho, apresenta materiais inéditos do autor, que faz aniversário esta semana, quando também se comemora o Dia Nacional do Livro

publicado: 16/04/2019 13h40,
última modificação: 18/04/2019 14h02
Monteiro Lobato é autor de mais de 50 livros que mexeram como ninguém com o imaginário infanto-juvenil de todo o Brasil (Foto: Domínio público)

Crianças e adultos terão a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o autor do Sítio do Pica-pau Amarelo a partir desta quarta-feira (17). Esta é a data de abertura da exposição “Monteiro Lobato: o homem, os livros”, organizada pela Biblioteca Nacional (BN), no Rio de Janeiro. Vinculada ao Ministério da Cidadania, a BN, oitava maior biblioteca do mundo, decidiu inaugurar a mostra na semana em que Monteiro Lobato faz aniversário, em 18 de abril, mesmo dia em que se comemora o Dia Nacional do Livro, em homenagem a ele.

Monteiro Lobato é autor de mais de 50 livros que mexeram como ninguém com o imaginário infanto-juvenil de todo o Brasil, e a BN vai apresentar material de seu acervo guardado há muitos anos e pouco mostrado ao público, alguns até inéditos.

“Ao pesquisar sobre Lobato, vemos que sua contribuição à literatura brasileira foi muito além das fronteiras do Sítio do Pica-pau Amarelo. É o que procuramos mostrar nesta exposição, chamando atenção para o trabalho dele como editor e tradutor, cuja iniciativa deu grande impulso ao mercado do livro no Brasil. Ao mesmo tempo, buscamos contemplar os vários artistas que contribuíram para enriquecer suas obras”, explica a bibliotecária Ana Merege, uma entusiasta da obra do escritor e curadora da exposição, em parceria com Veronica Lessa, coordenadora de Difusão Cultural da BN.

Para a presidente da BN, Helena Severo, Monteiro Lobato figura na constelação dos grandes intelectuais brasileiros do século XX. “Sua obra infantil, embora datada, ainda permanece no imaginário de várias gerações de brasileiros. Além de reunir edições históricas dos livros de Lobato, a exposição traz também algumas de suas correspondências com grandes nomes da cultura brasileira de seu tempo. Mais do que homenagear, a proposta da exposição busca resgatar a memória literária de Monteiro Lobato por meio da disponibilização do vasto acervo da Biblioteca Nacional.”

A exposição ficará em dois ambientes no terceiro andar do prédio sede, na Avenida Rio Branco: o Salão de Obras Raras e a varanda do terceiro andar. Dentro do salão, um painel fará a cronologia da vida e obra de Lobato e duas vitrines mostrarão os trabalhos mais conhecidos do escritor, todos originais, sob um olhar diferenciado, por meio dos desenhos dos ilustradores dos livros, como Voltolino, Belmonte, Andre Le Blanc e Jean-Gabriel Villin, entre outros.

Outra vitrine mostrará os livros escritos para adultos, incluindo a primeira edição de Urupês, de 1918, a edição de 1970 de O Presidente Negro, seu único romance, coletâneas de crônicas e artigos e obras adaptadas, traduzidas e adaptadas por ele. Entre os destaques, estão um exemplar da primeira edição de Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, e cartas trocadas entre os dois autores – Monteiro Lobato era o editor de Lima Barreto.

Além das obras originais, na varanda estarão expostos os estudos e os desenhos do ilustrador Rui de Oliveira para a primeira adaptação das histórias de Lobato para a televisão, a série O Sítio do Pica-pau Amarelo.

Domínio público

As obras do Monteiro Lobato ingressaram em domínio público em 1º de janeiro deste ano. “Quando a obra ingressa no domínio público, qualquer pessoa pode utilizá-la, fazer adaptações, traduzir, veicular, imprimir, ou seja, fazer qualquer tipo de uso econômico sem ter de pedir autorização prévia para o autor ou titular de direitos”, explica a diretora da Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Carolina Panzolini. “Isso, na prática, significa que as obras de Monteiro Lobato agora podem ser livremente exploradas comercialmente”, completa. A legislação brasileira estipula o prazo de 70 anos a partir de 1º de janeiro ao ano subsequente à morte do autor para que as obras dele entrem em domínio público.

Especialista na obra de Monteiro Lobato, a professora de Literatura Brasileira Milena Ribeiro Martins, da Universidade Federal do Paraná, acredita que o ingresso da obra do escritor paulista em domínio público vai aumentar a atenção do público e reaquecer o interesse pela obra de Lobato. “Não só as editoras podem investir comercialmente em livros sem gastar com direitos autorais, mas autores podem investir na recriação de suas obras sem pedir licença para a família a respeito disso”, afirma. “O número de leitores de Lobato tende a aumentar porque, comercialmente, vai haver novas edições, e o número de criações com base na obra de Lobato deve aumentar”, avalia.

Milena defende que, apesar de alguns terem quase 100 anos, os livros de Lobato, em especial os voltados ao público infantil, podem ser muito atraentes para os jovens leitores que vivem cercados de experiências multimídias. “Há um misto de fantasia, de ciência, de imaginação e de criatividade na obra do Lobato, que ainda é atraente para as crianças”, argumenta.

O autor

José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, em 1882. Homem de grande diversidade e talento, foi considerado gênio e pioneiro da literatura infantil e juvenil. Contudo, sua vocação era mesmo para as artes: pintura, fotografia e o mundo das letras. Suas publicações tiveram como propósito ser um instrumento de luta contra o atraso cultural e a miséria do Brasil. Em 1919, mudou-se para o Rio de Janeiro e criou o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que o celebrizou. Em 1920, lançou O Narizinho Arrebitado, leitura adotada nas escolas. Trouxe para a infância um rico universo de folclore, cultura popular e muita fantasia. Publicou Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho e O Pica-Pau Amarelo. Os Trabalhos de Hércules concluíram uma saga de 39 histórias e quase um milhão de exemplares vendidos. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, tais como francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, japonês e árabe.

Faleceu em 4 de julho de 1948, pobre, doente e desgostoso, aos 66 anos de idade. O cortejo do seu velório foi acompanhado por 10 mil pessoas cantando o Hino Nacional.

Serviço
Monteiro Lobato: o homem, os livros
Data: 17 de abril a 18 de julho
Localização: Fundação Biblioteca Nacional – Av. Rio Branco, 219, 3º andar, Rio de Janeiro

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania