Patrimônio imaterial

Jongo: preservação da ancestralidade negra no Brasil

Patrimônio Cultural do Brasil desde 2005, o jongo é uma manifestação cultural de origem africana, trazida pelos negros escravizados durante o período colonial

publicado: 26/07/2019 18h53,
última modificação: 01/08/2019 16h01
O Jongo de São Benedito e São Sebastião de Itaúnas, no Espírito Santo, tem como missão ensinar ao máximo de pessoas a história e a dança do jongo (Foto: Divulgação)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia vinculada ao Ministério da Cidadania, tem registrado 48 Patrimônios Culturais Imateriais em todo o Brasil. Segundo definição da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o patrimônio imaterial compreende “as expressões de vida e tradições que comunidades, grupos e indivíduos em todas as partes do mundo recebem de seus ancestrais e passam seus conhecimentos a seus descendentes”. A série de reportagens sobre os patrimônios imateriais brasileiros começa com a tradição do jongo, muito presente na região Sudeste do País.

Patrimônio Cultural do Brasil desde 2005, o jongo é uma manifestação cultural de origem africana, trazida pelos negros escravizados durante o período colonial. A dança coletiva, o canto, a percussão de tambores e elementos místicos representam a preservação da ancestralidade negra para comunidades de diversas regiões do País.

Preservado de geração a geração, o jongo é praticado principalmente na região sudeste, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. E é neste último que está localizado o Jongo de São Benedito e São Sebastião de Itaúnas – distrito do município de Conceição da Barra. O mestre Benedito Conceição Filho, de 59 anos, tinha apenas 16 quando recebeu a responsabilidade pelo grupo. A missão maior é ensinar ao máximo de pessoas a história e a dança do jongo.

“A gente brinca com pessoas de várias cores: mulato, branco, negro, índio. Então, é uma mistura de descendência de gente”, afirma. “Eu sou descendente de quilombola e o jongo é um símbolo que fica na marca da família das pessoas. Aprendi com os meus pais, meus avós e, agora, estou ensinando para os meus filhos, para os meus netos e, quem sabe, para os meus bisnetos”, relata.

No sul do estado do Rio de Janeiro, o Ponto de Cultura Jongo do Pinheiral é referência na arte de transmitir a tradição da dança e trabalhar a autoestima dos negros, com especial trabalho voltado às crianças. A região teve a maior fazenda de café na época do Brasil Colônia. Hoje, em ruínas, a fazenda São José do Pinheiro é ponto de memória dos negros escravizados. Segundo a líder do grupo, Maria de Fátima da Silveira Santos, conhecida como Fatinha, entre 2,5 a 3 mil negros foram escravizados no local e o jongo foi uma das formas utilizadas na busca pela liberdade.

Ponto de Cultura desde 2005, o Jongo do Pinheiral oferece programação de visitação à casa, contação de histórias e oficinas de dança de jongo – com instrução de percussão e passos (Foto: Divulgação)

“Temos o maior orgulho em mostrar a nossa dança, a nossa tradição. É uma forma de comunicação, é uma bandeira que os negros usaram lá atrás em busca da liberdade. E a gente usa até hoje para estar dentro de espaços que, se não fosse o jongo, nós não estaríamos, como em teatros na capital do estado, no Brasil todo. Então, o ganho social é muito grande”, afirma.

O trabalho do Jongo do Pinheiral existe há 40 anos. Ponto de Cultura desde 2005, oferece programação de visitação à casa, contação de histórias e oficinas de dança de jongo – com instrução de percussão e passos. “O ponto de cultura veio para coroar o nosso trabalho. Temos um trabalho extenso junto às escolas, justamente por essa prática que trazemos desde os anos 80. É um trabalho muito bacana, que temos orgulho em preservar”, ressalta Fatinha.

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