Patrimônio

Ministério da Cidadania autoriza início de obras em sítio histórico de São Miguel das Missões (RS)

Osmar Terra assinou, nesta sexta (8), ordem de serviço para a requalificação urbanística do entorno de sítio tombado. R$ 3,05 mi serão investidos

publicado: 07/02/2019 17h00,
última modificação: 15/02/2019 10h06

O turismo na região do Sítio Arqueológico São Miguel Arcanjo, localizado no município de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, recebeu relevante contribuição do governo federal, nesta sexta (8). Isso porque foi assinada, no local, a ordem de serviço que autoriza o início das obras de requalificação urbanística do entorno do sítio, patrimônio do Brasil e da Humanidade. Serão investidos, na primeira etapa da obra, R$ 3,05 milhões, por meio do PAC Cidades Históricas. O evento foi prestigiado pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra; pela presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa; e pelo secretário adjunto da Secretaria Especial da Cultura, José Martins. Vinculado ao Ministério da Cidadania, o Iphan administra a linha do PAC que investe em municípios com bens tombados.

Os benefícios das obras para os turistas e moradores locais serão transformadores. Entre as melhorias previstas, estão um novo pavimento de pedra, ciclovias com pavimento rígido, calçadas com pavimento em concreto e telas de aço, acessibilidade, trilhas, paisagismo e a requalificação de três praças. A melhoria da infraestrutura urbana do entorno do sítio tombado irá, consequentemente, melhorar as condições de habitabilidade, drenagem e tráfego.

O ministro destaca que a iniciativa será um grande propulsor do Turismo religioso e cultural. “Tudo que representa este sítio será um investimento de R$70 milhões. Queremos, com investimentos culturais de todas as formas, cumprir rapidamente as etapas”, afirmou Terra.

Tombado como Patrimônio Cultural pelo Iphan, em 1938, e declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1983, São Miguel Arcanjo é um dos principais vestígios do período das Missões Jesuíticas Guaranis em todo o mundo. Os vestígios materiais existentes no sítio – corpo principal da igreja, campanário e sacristia, partes das construções conventuais, fundações e bases das habitações indígenas, praça, horto, canalizações pluviais, objetos sacros – expressam o modelo de ocupação territorial permeado pela interação e troca cultural entre os povos nativos e os missionários europeus.

A construção da Igreja de São Miguel demorou dez anos para ser concluída e o projeto foi inspirado na Igreja de Gesú, em Roma, e atribuído ao arquiteto jesuíta Gian Battista Primolli.

O projeto integrava uma rica e colorida ornamentação interna, formada por entalhes, pinturas e esculturas com inúmeros motivos sacros. O sítio de São Miguel Arcanjo integra o Parque Histórico Nacional das Missões, composto ainda pelos sítios arqueológicos de São Lourenço Mártir, São Nicolau e São João Batista.

 Além de São Miguel das Missões, o PAC prevê investimentos em outras três cidades do Rio Grande do Sul – Porto Alegre, Pelotas e Jaguarão -, totalizando R$ 154,43 milhões em 29 obras. “Não basta a preservação. Também precisamos investir em promoção atraindo turistas, gerando emprego, renda e cidadania. É o que estamos buscando”, avaliou Kátia Bogéa.

Patrimônio do Mercosul


A titulação recebida significa o reconhecimento da presença ancestral dos Guarani no território Yvy Rupá, que hoje integra o Brasil, a Argentina e o Paraguai (Foto: Mauro Vieira)

Na presença do ministro da Cidadania, o povo Guarani também recebeu, na sexta (8), o certificado da Tava como Patrimônio Cultural do Mercosul. Lugar de referência para a memória e a identidade do povo Guarani, a Tava, localizada na área que corresponde ao Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo, foi construída e habitada pelos ancestrais deste povo indígena. O lugar sagrado foi reconhecido como patrimônio da região no XVII Encontro da Comissão do Patrimônio Cultural do MERCOSUL, ocorrido em outubro de 2018, em Montevidéu (Uruguai).

A titulação significa o reconhecimento da presença ancestral dos Guarani no território Yvy Rupá, que hoje integra o Brasil, a Argentina e o Paraguai. Para os Guarani, os países reúnem uma grande rede étnica formada por aldeias, caminhos e locais sagrados. Transitar livremente por esse território, como fizeram seus ancestrais, é um dos fundamentos que os indígenas desejam preservar. A Tava também é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Iphan.

O evento de entrega do certificado internacional ainda contou com a presença de representantes do povo Guarani e da coordenadora-executiva da Comissão de Patrimônio Cultural do Mercosul, Gabriela Gallardo.

O prefeito de São Miguel das Missões, Hilário Casarin, anunciou novidades para a preservação do patrimônio da cidade. “Eu acredito que é possível fazer nossa região missioneira crescer cada vez mais. O município vai dar uma contrapartida de R$ 700 mil para a repavimentação da Rua Borges do Campo”, pontuou.

Também estiveram presentes no evento representantes da etnia Guarani, povo localizado em diversas aldeias na região costeira do Sul e Sudeste do País. “É um momento muito especial para nosso povo. Desde a colonização dos portugueses nós (já) vivíamos no nosso território. Jamais tivemos a ideia de divisão de fronteiras ou de países. Esse espaço para nós é muito sagrado, derramou-se muito sangue. Mesmo assim estamos vivendo e resistindo”, afirmou Marcos Tupã, liderança Guarani que veio de uma aldeia localizada em Ubatuba (SP).

Turismo Cultural

A partir de lançamento de campanha, Região Sul receberá reforço de políticas que integrem patrimônio e turismo (Foto: Mauro Vieira)

Na manhã desta quinta (7), o ministro da Cidadania lançou, em Porto Alegre, a campanha “Patrimônio Cultural do Sul: Turismo Cultural como ativo para o desenvolvimento de cidades históricas”, promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cidadania.

Na ocasião, foi apresentado um calendário de atividades e eventos a serem realizados pelo Iphan no Rio Grande do Sul, em 2019. Entre eles, está a entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, prevista para outubro, em Porto Alegre. Outra ação prevista pelo Iphan é o lançamento da mais recente edição da Revista do Patrimônio, uma das publicações institucionais mais antigas e respeitadas do País, editada desde 1937.

A região ainda vai receber o Seminário Internacional Patrimônio + Turismo, que compartilha experiências exitosas de integração entre as duas áreas; e a Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. O conselho é o órgão colegiado de decisão máxima do Iphan, responsável pelo exame, apreciação e decisões relacionadas à proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro.

Todos os anos, o Iphan escolhe um estado brasileiro para sediar esse calendário de eventos e debates sobre o patrimônio cultural do País. Em 2019, o Rio Grande do Sul foi o escolhido.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania