Ibram

Museu Imperial: a riqueza do Brasil em arquivos históricos

Guardião da memória do império brasileiro, instituição em Petrópolis (RJ) reúne documentos, gravuras, mapas, fotografias e objetos históricos

publicado: 11/06/2019 18h44,
última modificação: 12/06/2019 10h51
Localizado no centro histórico de Petrópolis, o Museu Imperial situa-se na antiga residência de veraneio de Dom Pedro II (Fotos: Ibram)

Com mais de 400 mil visitantes em 2018, o Museu Imperial é um dos mais visitados do Brasil. Administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao Ministério da Cidadania, é situado no Palácio Imperial de Petrópolis (RJ) e possui um dos mais importantes arquivos históricos do Brasil Império. Localizado no centro histórico da cidade fluminense, o museu situa-se na antiga residência de veraneio de Dom Pedro II. O prédio, em estilo neoclássico, foi construído com recursos pessoais do imperador entre 1845 e 1862 e possui um arquivo que conta com mais de 200 mil documentos, gravuras, mapas e fotografias.

Foi em 29 de março de 1940, pelas mãos do então presidente Getúlio Vargas, que o Museu Imperial foi criado. O diretor da instituição, Maurício Vicente Ferreira Júnior, explica que os itens referentes ao período imperial brasileiro na verdade são referenciais da criação do Estado nacional brasileiro. “Falar de período imperial é necessariamente falar do país que nasce independente em 1822”, ressalta. “Por isso essa busca, essa referência. As pessoas têm no acervo do museu uma verdadeira aula de história. Ou seja, quando se fala em conhecer a história do Brasil, no seu início, de quando foi criado, é quase que obrigatório vir aqui ao Museu Imperial conhecer as coroas de Dom Pedro I e II, o cetro usado pelos dois imperadores. São objetos referenciais desse período”, argumenta o diretor.

Frequentado por mais de 70 mil estudantes por ano, além de historiadores, pesquisadores e visitantes em geral, o museu conta com projetos educativos voltados aos estudantes, como teatro de fantoches e a caixa das descobertas, por meio do qual as crianças aprendem mais sobre um determinado tema, que pode ser a escrita, representada pela pena usada pela princesa Isabel para assinar a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, por exemplo. “Assim é apresentada a elas a prática da escrita desde a antiguidade até o século XIX. A mesma coisa com o chapéu, até chegar à coroa de Dom Pedro II”, comenta Maurício Júnior.

Também há a realização de eventos, como o projeto Som e Luz, oferecido ao público semanalmente há 15 anos. “Mais de 400 mil pessoas já viram esse espetáculo e é uma teatralização, um filme que é projetado numa cortina d’água que se transforma em tela. E temos outro que é um sarau imperial, eu gosto muito desse projeto”, destaca o diretor. “Eles recriam aquela ambiência do sarau, que era uma prática muito comum no século XIX e as crianças e as pessoas são levadas a participar e cria-se uma experiência de que as pessoas não se esquecem”, finaliza o diretor.

Para o jornalista pernambucano Tércio Amaral, que visitou o museu em abril, o Museu Imperial é o grande guardião da memória do império brasileiro. “Quando houve a proclamação da República, muitos dos bens, objetos de valor da família imperial, acabaram sendo dispersos”, disse. “Hoje, aquela casa é constituída em grande parte de doações da própria família imperial, como objetos de valor, objetos sentimentais que a própria família imperial conseguiu levar para o exílio e esse museu tem o papel de guardião dessa memória”, explica Amaral.

O jornalista avalia ainda que o museu imperial tem um grande diferencial, que é a participação da comunidade. “Lá há uma associação dos amigos do museu que, recentemente, inaugurou um pavilhão de recepção todo custeado com doação da sociedade”, ressalta. “É como se a comunidade no entorno tivesse um reconhecimento da utilidade daquele espaço. O museu é a grande porta de entrada do turismo de Petrópolis”, conclui.
Acervo

A coroa de Dom Pedro II é um dos destaques do acervo do Museu Imperial

Os visitantes têm acesso à coroa de Dom Pedro II, a peça de maior destaque do museu, assim como o cetro dos imperadores brasileiros. Também integram o acervo móveis, adornos, objetos do cotidiano, esculturas, joias e pratarias, assim como pinturas e uma biblioteca especializada em História, principalmente a do Brasil no período imperial. Ainda estão disponíveis biografias e livros sobre a história de Petrópolis e artes em geral. São aproximadamente 50 mil títulos, com 8 mil obras raras, organizados em seis grandes coleções.

Entre as obras raras, a maioria publicada no século XIX, muitos exemplares dos séculos XVII e XVIII. Além de livros, também fazem parte da coleção jornais, revistas, almanaques, partituras, ex-libris, relatórios das províncias e dos ministérios e uma coleção de Leis do Império, em total de, aproximadamente, 8 mil volumes.

Entre eles, merecem destaque obras que pertenceram à família imperial, com encadernações de luxo, iluminuras, diversas obras dedicadas aos dois imperadores e outras ilustradas com o brasão de armas da família imperial.

Outra valiosa contribuição para a memória do país é o precioso conjunto de fotografias que recupera parte da história visual do Brasil, do estado do Rio de Janeiro e da cidade de Petrópolis desde o início da fotografia.

Laboratório

O Museu Imperial também conta com um Laboratório de Conservação e Restauração. Lá, são realizadas atividades de conservação preventiva e restauração, com o intuito de preservar o acervo bibliográfico, arquivístico e museológico sob a guarda do Museu Imperial. Cada obra recebe um tratamento meticuloso e delicado, que envolve várias etapas, assegurando, assim, sua integridade.

Além disso, em 2013, o Conjunto relativo às viagens do imperador Dom Pedro II pelo Brasil e pelo mundo, do acervo do Museu, foi inserido no Registro Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), honraria que equivale à patrimônio da humanidade para patrimônio edificado, para documentos em papel escrito e iconográfico. Com a honraria, o Museu Imperial passou a ser a primeira unidade museológica do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) a receber a importante chancela da Unesco.

O Museu Imperial fica na Rua da Imperatriz, nº 220, Centro – Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, localizada a 70 km da capital do estado.

Para saber os preços e horários de visitação, clique aqui.

Bruno Romeo
Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania