Música

Notas das ruas do Rio de Janeiro para o mundo: é dia de Chorinho

No Dia Nacional do Choro, celebrado nesta terça (23), o Ministério da Cidadania destaca o trabalho da Casa do Choro, no Rio de Janeiro, que tem o maior acervo dedicado ao gênero do globo

publicado: 22/04/2019 20h17,
última modificação: 24/04/2019 14h55
A Escola Portátil, da Casa do Choro, no Rio de Janeiro, aposta no ensino do gênero musical a jovens de todo o mundo (Foto: Silvana Marques / Casa do Choro)

Das ruas do Rio de Janeiro (RJ), na década de 1870, surgiu a primeira música urbana tipicamente brasileira: o Choro, ou Chorinho, cuja existência celebramos nesta terça-feira (23), o Dia Nacional do Choro. Ao longo dos anos, o estilo musical se consolidou tornando-se referência para jovens músicos do Brasil e do exterior.

Boa parte da popularização do Choro se deve à iniciativas como a Casa do Choro, criada no Rio de Janeiro, em 1999, por um grupo de músicos, produtores e artistas. O lugar educa, preserva e difunde a música popular carioca e, em especial, o Choro. Presidente da casa, a musicista e compositora Luciana Rabello destaca o trabalho de educação executado pelo instituto. “O interesse da garotada pelo choro é cada vez maior, temos aproximadamente mil alunos, todos os anos, na Escola Portátil”, afirma Luciana.

A Escola Portátil, vinculada à Casa do Choro, completa 19 anos este ano e foi idealizada por Luciana pelo irmão, o violonista e compositor Raphael Rabello (1962-1995). Sucursais da escola já estão instaladas nos cinco continentes do globo, evidenciando a procura pelo estudo do estilo musical. “Temos uma sucursal da Escola Portátil inclusive na Holanda. É muito bacana ver as crianças pequenas aprendendo português por causa do Choro”, relata Luciana, em clima de empolgação.

A Casa do Choro conta com o maior acervo dedicado ao gênero do mundo, com mais de 18 mil partituras catalogadas, digitalizadas e disponibilizadas para consulta pública gratuita. “É uma guerra muito grande fazer tudo isso. Nada é fácil porque não tem nenhum apelo comercial. Nós batalhamos para manter uma cultura viva”, ressalta a presidente.

Programas e Partituras

A coordenação de Música da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cidadania, dedica parte de seu acervo e trabalho ao Choro. No projeto Songbook Online Internacional, por exemplo, estão incluídos choros clássicos – Chiquinha Gonzaga e Maurício Carrilho são alguns dos nomes presentes no Songbook.

Já o Estúdio F, programa de rádio transmitido pela Rádio Nacional – AM do Rio de Janeiro, aos sábados, às 21h, já fez edições especiais dedicadas a alguns dos maiores expoentes do Chorinho, entre eles Anacleto de Medeiros, Carolina Cardoso de Menezes, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Severino Araújo e a Orquestra Tabajara, Tia Amélia, Waldir Azevedo e o conjunto Época de Ouro.

Todas as edições do programa podem ser ouvidas em “streaming” no portal da Funarte. A lista completa pode ser acessada no portal do Estúdio F.

Homenagem a Pixinguinha

Em 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, nasceu Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. Flautista, saxofonista, compositor e arranjador, uma das principais referências da música popular brasileira é nome tão definitivo para a história do choro que a data de seu nascimento tornou-se o Dia Nacional do Choro.

Foi o estudioso da Música Popular Brasileira Sérgio Cabral quem escreveu a frase definitiva sobre a importância de Pixinguinha: “Músicos, musicólogos e amantes de nossa música podem até discordar de uma coisa ou outra. Afinal, como diria a vizinha gorda e patusca de Nélson Rodrigues, gosto não se discute. Mas, se há um nome acima das preferências individuais, este é Pixinguinha”. São de sua autoria músicas como Carinhoso, Lamentos, Rosa e Vou Vivendo, entre dezenas de outras.

Confira programas do Estúdio F dedicados ao Choro:

Assessoria de Comunicação
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