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Programa do Ministério da Cidadania mostra a crianças a magia da produção cinematográfica

Programa Formação do Olhar leva estudantes de escolas públicas fluminenses ao Centro Técnico Audiovisual, onde assistem a curtas-metragens e conhecem os processos de elaboração de um filme

publicado: 11/04/2019 16h43,
última modificação: 16/04/2019 14h15
Alunos do 5º ano da Escola Municipal Marcílio Dias e servidores do CTAV e Ministério da Cidadania (Foto: Clara Angeleas/Ministério da Cidadania)

A turma do 5º ano da Escola Municipal Marcílio Dias chegou com os olhos brilhando na sede do Centro Técnico Audiovisual (CTAV), instituição da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania localizada no bairro de Benfica, no Rio de Janeiro. Após a manhã de aulas, quatro meninos e oito meninas saíram da Vila Iguaçuana, região de baixa renda de Nova Iguaçu (RJ), na Baixada Fluminense, para assistir a um curta-metragem e conhecer mais sobre os diversos processos envolvidos na produção cinematográfica.

O filme escolhido para a exibição foi 10 centavos, do diretor Cesar Fernando de Oliveira, que mostra um dia na vida de um garoto que mora no subúrbio ferroviário de Salvador (BA) e trabalha como guardador de carros no centro histórico. As crianças preferiam um filme de romance, ação ou terror (estilo favorito da maioria), mas se emocionaram com o personagem principal, que trabalha duro para pagar sua comida, transporte e ajudar em casa, onde mora com a mãe, o pai que não aparece há dias e o irmão mais novo.

“Adorei o filme, principalmente o final, porque ele trabalha para ajudar a mãe dele”, contou Jéssica Barros, de 10 anos. Kauê Ferreira, de 11 anos, também elogiou o curta. “A história é bonita. O menino é muito honesto, fez questão de devolver os 10 centavos que ficou devendo ao restaurante onde ele almoçou”, destacou.

Após a sessão, foi hora de conhecer melhor a magia do cinema. Os estudantes visitaram a sala de animação, os estúdios de mixagem, edição e gravação, a sala de acervo e o prédio da reserva técnica, onde são armazenados 20 mil rolos de película cinematográfica. Tiveram contato com diversos equipamentos e materiais, como negativos perfurados, truca, moviola, mesa de som e câmeras profissionais.

Estudantes visitam a sala de animação do CTAv (Foto: Clara Angeleas/Ministério da Cidadania)

“O passeio foi muito legal. Gostei de conhecer tudo, principalmente como se faz o som dos filmes”, contou Kauane Silva, de 12 anos. Além de bombeira e funcionária da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, a estudante agora também pensa em trabalhar como sonoplasta. Já o estudante João Victor Batista de Paula, de 11 anos, resolveu, após a visita, que, além de jogador de futebol, também quer ser cineasta. “Quem sabe não faço um filme sobre futebol?”, sonha o menino. “Não imaginava que precisava desse tanto de coisa pra fazer um filme. Achava que era uma câmera, um computador e só”, completou.

Orientadora educacional e professora responsável pela turma de 5º ano da Escola Municipal Marcílio Dias, Sílvia Luna elogiou o trabalho desenvolvido pelo CTAv. “Nós trabalhamos em um lugar muito carente e os meninos têm pouca oportunidade de sair de lá, de conhecer algo diferente por meio da família”, conta. “Só de perceber o olhar deles, a gente vê que esse passeio é algo mágico. A gente trabalha no dia a dia com os conteúdos na sala de aula para que eles tenham um futuro melhor, tanto profissionalmente quanto como ser humano, e esta visita contribuiu bastante com isso”, destacou Sílvia.

Formação do Olhar

A visita das crianças ao CTAv faz parte do Programa Formação do Olhar, que já levou cerca de 250 alunos de escolas públicas do Rio de Janeiro para conhecer o processo de fazer cinema. O programa é um segmento de outro mais amplo, o CTAv de Portas Abertas, que, desde março de 2018, recebe faculdades, cursos e instituições para visitas guiadas. As escolas interessadas em participar podem se inscrever neste link.

Antes da sessão de cinema, a coordenadora-geral do CTAv, Daniela Pfeiffer, explica o funcionamento do Centro aos alunos participantes do Programa Formação do Olhar (Foto: Clara Angeleas/Ministério da Cidadania)

A coordenadora-geral do CTAv, Daniela Pfeiffer, conta que uma meta do Programa Formação do Olhar é atender estudantes portadores de deficiência. Para isso, está sendo negociado um acordo com a empresa Conecta Acessibilidade, especializada em produção de conteúdo audiovisual acessível. Também vai participar da parceria o Instituto Municipal Helena Antipoff, centro de referência em educação especial da rede municipal do Rio de Janeiro. “Queremos levar essas pessoas ao CTAv para que elas também possam usufruir das atividades que oferecemos.”

Atualmente, o deslocamento dos estudantes até o CTAv é feito em van cedida pelo Escritório do Ministério da Cidadania na Região Sudeste. O Centro negocia parceria com a prefeitura carioca para ampliar as possibilidades de transporte e possibilitar que mais estudantes participem do programa. “Estamos conversando com as secretarias municipais de Cultura e de Educação para tentar esse apoio. Hoje, nossa limitação para atender a mais escolas é exatamente a questão do transporte”, explica Daniela.

O chefe do Escritório do Ministério da Cidadania na Região Sudeste, Matheus Quintal, destaca a importância do programa Formação do Olhar. “Por meio dele, as crianças podem ter acesso ao que o mundo audiovisual tem a oferecer. Quem sabe podem sair daqui novos roteiristas, cineastas, diretores, produtores e que a gente possa alimentar essas crianças de um futuro cheio de esperança e de um Brasil muito melhor do que a gente tem hoje”, destaca.

Estudante conhece o funcionamento de uma câmera profissional (Foto: Gustavo Serrate/Ministério da Cidadania)

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