Prêmio Culturas Populares

Respeito, fé e alegria são as chaves do viver para Mãe Edna de Baru

Ialorixá recebeu o Prêmio Culturas Populares em 2018, por seu trabalho como liderança sociocultural e religiosa em sua comunidade tradicional de terreiro

publicado: 01/07/2019 15h12,
última modificação: 02/07/2019 12h40
Em 2018, Mãe Edna de Baru foi uma das agraciadas com o Prêmio Culturas Populares, por seu trabalho como líder sociocultural e religiosa de uma comunidade tradicional de terreiro em Foz do Iguaçu (Fotos: Acervo pessoal)

“É a fé nos Orixás, em Deus, que me faz seguir a cada dia”, diz Ednamar Costa de Almeida, a Mãe Edna de Baru. Nascida em São Paulo, no dia 26 de maio de 1963, esta filha de barrageiro – que é como são chamados os trabalhadores das barragens – se diz uma carioca de coração, ainda que suas grandes conquistas tenham lugar em Foz do Iguaçu, no Paraná. Em 2018, foi uma das agraciadas com o Prêmio Culturas Populares, por seu trabalho como líder sociocultural e religiosa de uma comunidade tradicional de terreiro na cidade paranaense. A iniciativa, da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, visa estimular e valorizar as mais diversas expressões culturais do País. As inscrições para a edição deste ano do prêmio estão abertas até 16 de agosto. Saiba mais.

Desde criança, Mãe Edna é ligada à Umbanda. Devido às constantes mudanças de cidade em virtude da profissão do pai, frequentou terreiros em Brasília (DF), Poços de Caldas (MG) e Niterói (RJ), onde teve sua iniciação, em 1983, pelas mãos de Pai Balé Tossilegun e de Mãe Valmicia Sumba Meredan. Em 1987, mudou-se para Foz do Iguaçu, onde passou a trabalhar, ao lado da mãe, com comidas típicas das religiões de matriz africana, como o acarajé.

Assim, unindo tradições culinárias e religiosas, Mãe Edna começou seu trabalho na região Sul. Em 1996, fundou seu primeiro terreiro em Foz do Iguaçu, o Ilê Ase Kaocy, que anos depois passou a se chamar Ilê Alaketu Ijobá Bayo Asé Baru Orobolape. É lá que a ialorixá organiza as festividades em que reúne culinária, dança e muita animação.

“Eu organizo o projeto Tem Cultura no Meu Quintal, em que eu faço uma moqueca ou um acarajé e chamo um grupo de samba de roda, de maracatu – eu sou madrinha de um dos grupos de maracatu em Foz”, conta. Mãe Edna também criou um workshop de comidas tradicionais e está ensaiando um coral para cantar músicas tradicionais do Candomblé e da Umbanda. Além disso, ajuda artesãs locais a vender seus produtos nos eventos que organiza.

Mas nem só de cultura vive Mãe Edna. Atualmente, ela faz curso de promotoras legais, para auxiliar mulheres que passaram por situações de violência social ou doméstica, integra os conselhos municipais de saúde e de igualdade racial e o grupo de trabalho de povos de terreiro. “Eu tenho tentado, como o meu conhecimento, com a religião dos povos de terreiro, fazer com que as pessoas tenham uma visão mais ampla da nossa cultura, do que nós queremos enquanto povos, enquanto religiosos e, com isso, eu tento abraçar as pessoas”, destaca.

Superação e fortalecimento

A fala serena, firme e o coração afetuoso demonstram não só a sabedoria, mas também a resiliência de Mãe Edna. “A vida é um labirinto e a gente só consegue descobrir a saída a partir do momento em que decide encontrá-la”, reflete sobre a própria caminhada. “Eu saí de um bom nível familiar e acabei caindo no chão, eu passei por isso, porque eu tinha que aprender. E eu tento passar para as pessoas que você não precisa cair no fundo do precipício, pega na mão de quem está em cima, de quem está na frente e segue”, ensina.

Para Mãe Edna, é trabalhando com as próximas gerações que é possível construir um mundo com mais tolerância, respeito e paz. “O melhor caminho para superar o preconceito, a discriminação, é a cultura que sai de dentro da casa de cada um. A todos os meus filhos eu ensinei assim: vá conhecer todas as religiões, nunca fale mal de nenhuma para defender a sua, não critique o desconhecido. A gente precisa plantar uma flor que gere muita paz e muita luz nesta Terra, que é isso que a gente está precisando”, afirma.

Prêmio Culturas Populares

Na edição deste ano, que homenageia o cantor gaúcho Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, 150 prêmios serão destinados a iniciativas de mestres e mestras da cultura popular, 90 a pessoas jurídicas sem fins lucrativos com finalidade ou natureza cultural já reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva e 10 a pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural, também reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva. Serão 50 premiados de cada região do Brasil e cada um vai receber R$ 20 mil.

Criado em 2007, o Prêmio Culturas Populares já teve seis edições, com cerca de 11 mil inscrições e 2.045 mestres, grupos e entidades sem fins lucrativos premiados, com um total de R$ 28,75 milhões. A premiação ficou suspensa entre 2013 e 2016, tendo sido retomada em 2017. No ano passado, foram agraciadas 129 iniciativas da Região Nordeste, 123 da Sudeste, 99 da Sul, 98 da Norte e 51 da Centro-Oeste.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania