Setor cultural elogia fusão de áreas no Ministério da Cidadania e indicação de Henrique Pires para a Secretaria Especial da Cultura

Classe artística e gestores de entidades falam das expectativas e dos desafios da área na nova gestão

publicado: 02/01/2019 20h19,
última modificação: 09/01/2019 17h07

Representantes do setor cultural se mostraram animados com a nova estrutura do Ministério da Cidadania, que vai integrar Cultura, Esporte e Desenvolvimento Social, e a indicação de Henrique Medeiros Pires para a Secretaria Especial da Cultura. A classe artística e gestores culturais falaram das expectativas e desafios do setor nesta nova gestão.


“A cultura agregada ao esporte, ao desenvolvimento social, vai poder fazer muito por áreas sobre as quais já tínhamos projetos relacionados”, Kátia Bogéa (Fotos: Clara Angeleas)

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, presente na cerimônia de transmissão de cargo ao ministro da Cidadania, Osmar Terra, destacou o ineditismo da oportunidade de fazer políticas transversais. “Esta é a grande novidade. É o ganho da fusão dos ministérios. A cultura agregada ao esporte, ao desenvolvimento social, vai poder fazer muito por áreas sobre as quais já tínhamos projetos relacionados”, disse. Citou como exemplo uma obra em Florianópolis de reurbanização de uma área que estava completamente dominada pelo tráfico de drogas. “É uma área central da cidade, patrimônio brasileiro. Uma obra dessas conjugada com outras políticas pode ressoar muito mais. Acho que a gente está num momento de dar um salto, de fato, ter efetividade, foco e resultados muito expressivos nas políticas públicas brasileiras.”

A presidente substituta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Eneida Braga Rocha de Lemos, também presente no evento, mostrou otimismo com a integração da Cultura a outras áreas. “A cultura como parte integrante do Ministério da Cidadania reforça a afirmativa de que todo cidadão tem direito às suas memórias, tem direito a museus”, afirmou, complementando que o Brasil tem mais de 3.700 museus.

As expectativas do presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira da Silva, também são as melhores possíveis. “Tenho certeza que será uma gestão inovadora no que tange a relação com a sociedade e na busca da plena produção cultural, social e econômica para geração de emprego e renda. O grande da atual gestão em relação à Fundação Palmares será a manutenção e disseminação da cultural afro-brasileira. A Palmares é um patrimônio do povo brasileiro e tenho certeza que será dada atenção que o povo merece”, afirmou.


“A junção dos ministérios vai potencializar ideias”, Helena Severo

Também ficou satisfeita com a fusão de áreas a presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Helena Severo. Ela destacou desafios que a nova gestão enfrentará neste setor em 2019. “Dos 9,5 milhões de itens da Biblioteca, 2,1 milhões já passaram por digitalização e estão acessíveis via digital. Qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta pode acessar estes documentos da BN já digitalizados. Nós queremos ampliar este projeto para seguirmos atingindo até o limite do possível de digitalizar todo o acervo. Ampliar as parcerias da Biblioteca Nacional com outros organismos, tanto nacionais quanto os internacionais”, disse. Outro desafio destacado por ela é colocar na rede pública de ensino estes dados que já estão digitalizados na Biblioteca Nacional. “Acho isso fundamental. A junção dos ministérios vai potencializar essas ideias.”

A superintendente da Cinemateca Brasileira, Cristina Ikonomidis, afirmou que sua expectativa é a melhor possível. “Temos certeza de que o trabalho que a Cinemateca Brasileira vem realizando não só terá continuidade como terá cada vez mais suporte para ser ampliado.”


“Estamos apoiando este momento de transformação da gestão em nível federal”, Adão Cândido

O secretário de Cultura do Distrito Federal e ex-secretário de Articulação e Desenvolvimento Institucional do Ministério da Cultura, Adão Cândido, afirmou: “a nossa visão é de colaboração. É de trabalho integrado. Secretários estaduais, no caso, eu, pelo Distrito Federal, e os outros se reúnem no Fórum dos Secretários, nós estamos apoiando este momento de transformação da gestão em nível federal”.

“Homem da Cultura”

O vice-presidente da Associação de Produtores Teatrais Independentes (APTI), Odilon Wagner, elogiou a indicação de Pires. “A classe artística ficou feliz com a escolha dele porque é um homem da Cultura. Realizou um trabalho no Sul superimportante e é essencial que estivesse com o ministro uma pessoa da área e um homem sério como ele”, afirmou o vice-presidente da Associação de Produtores Teatrais Independentes (APTI), Odilon Wagner. “O grande desafio do Henrique talvez seja o de traduzir para o novo governo, em várias áreas, como a da Fazenda, a importância que o campo da Cultura tem na economia e no social”, complementa. Segundo Wagner, Pires deverá mostrar a pujança deste setor para a sociedade.

A diretora e representante da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, destacou que Medeiros é um profissional de alta competência e com reputação sólida, com experiência na formulação e gestão de políticas públicas nas áreas de cultura e desenvolvimento social. “Temos certeza que terá grande sucesso na condução das políticas de fortalecimento da cultura no país.” Marlova reforçou que o novo secretário terá na UNESCO “um forte e entusiasmado aliado para a cooperação técnica no desenvolvimento de políticas públicas culturais”.

“Entusiasmo” define o sentimento do presidente da Associação Brasileira das Empresas Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames), Sandro Manfredini. “Saudamos o novo senhor Secretário José Henrique Medeiros Pires, e desejamos muito sucesso à frente de uma das pastas mais importantes para o nosso país. Estamos entusiasmados para apresentar a prosperidade da indústria brasileira de desenvolvimento de games, seu potencial econômico, e sobre como podemos trabalhar juntos para crescermos ainda mais, gerando empregos de alto valor agregado e divisas para o Brasil”, afirmou.

A diretora administrativa e financeira da Escola do Teatro do Bolshoi no Brasil, Célia Campos, tem boas expectativas em relação ao novo governo, com sua bandeira contra a corrupção. “Sabemos que no MinC há políticas de combate à corrupção, que a prestação de contas dos projetos da Rouanet é séria, quem vive e trabalha diariamente com cultura sabe. As críticas são devidas, em sua maioria, à falta de informação”, afirmou. “Desejamos muita sorte e muita luz para que o novo secretário possa levantar a bandeira da cultura, que tende a ser uma pasta não priorizada, mas nós que trabalhamos no setor cultural sabemos o quanto é importante. No Bolshoi, há vidas que são resgatadas pela dança. Que possamos continuar lutando e que cada vez mais pessoas lutem pela cultura e que secretario tenha uma equipe coesa para fazer desta pasta uma pasta forte”, concluiu.

Já o presidente da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), Roberto Menescal, disse estar esperançoso quanto à possibilidade de o novo governo investir na exportação da produção musical brasileira. “Espero que estudem mais a fundo a possibilidade de exportarmos cada vez mais a música brasileira, que vai render muito para o Brasil”, afirmou.

A presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Marta de Senna, está na expectativa de receber a visita do secretário especial da Cultura para conhecer a instituição. “A nossa expectativa é que o novo secretário venha saber o que somos, o que fazemos e o que prestamos à cultura brasileira. Atuamos nas áreas que Rui Barbosa atuou: na educação, no direito dos povos, além das políticas culturais. A partir disso, fazemos um trabalho que associa a cultura à sociedade.”

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cidadania